As informações contidas nesta página provém das seguintes fontes:

- Livro "Fundação Universidade Federal do Rio Grande: 35 Anos a Serviço da Comunidade", organizado por Francisco das Neves Alves, redação da Profª. Drª. Aída Luz Bortheiry Meirelles, professora de Medicina Interna do Curso de Medicina da FURG e endocrinologista do HU-FURG;

- Relato da profª Isabel Cristina de Oliveira Netto, docente da Área de Clínica Médica da FAMED.

 

1806
Em 20 de novembro, surge a Sociedade Beneficente da Irmandade do Espírito Santo e Caridade, a primeira instalação hospitalar da cidade do Rio Grande.

 

1835
A Irmandade do Espírito Santo e Caridade serve como núcleo para que o benemérito Rodrigo Fernandes Duarte crie, em 15 de março desse ano, a Associação de Caridade da Santa Casa de Misericórdia do Rio Grande (ACSCRG). Em 1850, começam as construções das futuras instalações do hospital (no local onde atualmente se encontra), através do lançamento da pedra fundamental da obra.

 

1859
É criada, em 3 de julho, a Sociedade Portuguesa de Beneficência, o segundo hospital a funcionar na cidade.

 

1934
Em 19 de setembro, surge o Sindicato dos Médicos do Rio Grande, um dos incentivadores da abertura de um curso de Medicina na cidade

 

1950
Surge a Sociedade de Medicina do Rio Grande (SOMERIG) em 19 de julho, a qual conteve muitos dos que foram os primeiros professores do curso de Medicina. A sociedade médica criada em Rio Grande precedeu a fundação da Associação Médica do Estado do Rio Grande do Sul (AMRIGS), que foi criada em 27 de outubro de 1951.

 

1953
Em 8 de julho, surge a Fundação Cidade do Rio Grande (FCRG), criada por um grupo de empreendedores da cidade. A missão de tal instituição era implementar e manter os cursos do ensino superior no município. A primeira instituição de ensino criada pela FCRG foi a Escola de Engenharia Industrial. Um dos grandes entusiastas da Fundação era o Engº. Francisco Martins Bastos, que desejava transformar Rio Grande em um pólo de educação universitária.

 

1963
Desde o final dos anos 1950, muitos jovens médicos da cidade começaram a se questionar sobre a possibilidade de um curso de Medicina na cidade. Embuídos de tal desejo, foi realizada uma reunião no dia 1º de fevereiro na SOMERIG, na qual foi lavrada uma ata criando uma comissão para tratar da fundação de uma escola médica. Encontraram um grande apoio no Engº. Bastos, que tinha um grande desejo criar uma Faculdade de Medicina no município. À época da história reunião, os constituintes mais importantes foram:

  • Presidente da SOMERIG: Dr. Adamastor Guimarães.
  • Secretário da SOMERIG: Dr. Colombo Cosenza.
  • Membros designados para a comissão:
    • Dr. Newton Azevedo.
    • Dr. Lavieira Maino Laurino.
    • Dr. Miguel Riet Corrêa Júnior.
    • Dr. Luiz Martins Falcão.
    • Dr. Péricles Espíndola

 

1966
Em 11 de março, é autorizado o funcionamento da Faculdade de Medicina do Rio Grande, por meio do parecer 170 doc. 04 do Conselho Federal de Educação. As salas de aula e a Biblioteca da Saúde foram instaladas nos fundos da ACSCRG. Para que fosse possível o ensino médico na cidade, a recém criada faculdade assinou convênios com as seguintes instituições:

  • Sociedade de Medicina do Rio Grande.
  • Casa da Criança Dr. Augusto Duprat.
  • Sociedade Portuguesa de Beneficência.
  • Associação Espírita do Hospital Dr. Guahyba Rache.
  • Ipiranga Atlético Clube.
  • Laboratório Cuello Lopes.
  • Clube de Regatas Rio Grande.

Os departamentos constituintes à época eram: Ciências Fisiológicas; Ciências Morfológicas; Ciências Psicológicas; Cirurgia; Ginecologia e Obstetrícia; Medicina Interna; Medicina Preventiva; Microbiologia e Parasitologia; Moléstias Infecciosas e Parasitárias; Patologia; Pediatria e Puericultura.

 

1969
Através do Decreto-Lei 774, promulgado a 20 de agosto pelo então presidente da república Gen. Arthur da Costa e Silva, é instituída a Universidade do Rio Grande (URG). A URG é declarada uma entidade de direito privado e é formada pelas três unidades que tinham os cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação: a Faculdade Federal de Engenharia Industrial (que foi federalizada em 2 de maio de 1961), a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas e a Faculdade de Direito Clóvis Bevilácqua. A Faculdade de Medicina do Rio Grande só faria parte da instituição quando o curso fosse reconhecido. Em 21 de outubro, é fundada a Fundação Universidade do Rio Grande (FURG), entidade mantenedora da URG, via decreto 65462.

 

1971
Em 29 de outubro, a Faculdade de Medicina finalmente é reconhecida e, seguindo a instrução do Decreto-Lei 774, é incorporada à URG. Em 25 de novembro, a FCRG decidiu desmembrar o Instituto de Biociências (o qual se tornou uma entidade com direção própria e independente à Faculdade de Medicina). Em 11 de dezembro, formou-se a primeira turma de médicos da então URG, completando o antigo sonho de formar-se médicos na cidade do Rio Grande.

 

1972
A URG decide promover diversas atividades de extensão abertas à comunidade em geral, sendo uma das mais importantes a adesão da URG ao Projeto Rondon. Foi
implementada, em 18 de dezembro, uma mudança estrutural na URG. A nova diretriz extinguia as faculdades e criava um modelo departamental, o qual dividia a universidade em Centros (macrodivisões) e Departamentos (microdivisões), estando esses subordinados à Sub-Reitoria de Ensino e Pesquisa. Estas divisões eram responsáveis pelo Ensino e pela Pesquisa nas áreas do conhecimento que abrangiam. A Medicina passou a ser regida pelos Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, e tinha professores lotados nos seguintes Departamentos: Ciências Fisiológicas, Materno-Infantil, Medicina Interna, Medicina Preventiva, Patologia, Morfo-Biológicas e Ciências Psicológicas. O mesmo ato criou as COMCURs (Comissões de Curso), responsáveis pela administração das graduações e de pós-graduações. Esta divisão passou a valer no ano seguinte.

 

1973
A URG foi declarada uma entidade de utilidade pública, mas ainda como de direito privado; isto significa que a URG passa a ser subvencionada pelo então Ministério da Educação e Cultura (MEC). Um conjunto de entidades de ensino (URG, Universidade Federal de Pelotas - UFPEL, Universidade Católica de Pelotas - UCPEL e Universidade Federal do Mato Grosso - UFMT) e de agências de desenvolvimento regional (Superitedência de Desenvolvimento do Centro-Oeste e Fundação Projeto Rondon) criaram o Projeto do Campus Avançado de Cáceres-MT; a Medicina participou através de cursos para a população sobre Medicina Preventiva. Este projeto foi feito até 1978. É neste ano que também surge o estágio em Cardiologia, após implantação da UTI Cardiológica da ACSCRG.

 

1976
A URG foi incorporada ao Sistema Federal de Ensino, tornando-se então uma universidade federal. A partir do segundo semestre desse ano, os professores e servidores passam a receber contra-cheques da União. Nesse mesmo ano, a Sub-Reitoria de Ensino e Pesquisa criou a Superitendência de Extensão, a qual seria responsável pelas atividades extensionistas da universidade. Com isso, todas as atividades extensionistas da Medicina passaram a ser regidas e incentivadas por esse novo órgão.

 

1977
Foram extintos os Centros e manteve-se apenas as unidades departamentais, todas elas ligadas à Sub-Reitoria de Ensino e Pesquisa.
No final do ano, surgiu a primeira residência da FURG: a residência médica em Pediatria.

 

1978
Surgiu a residência médica de Clínica Médica.

 

1979
Surgiu o PAID (Programa Assistência Integral de Diabéticos), o qual possibilitou treinamento de profissionais e estagiários no tratamento e manejo do paciente diabético. Surgiu o Setor Integrado de Atendimento Psicológico (SIAP), criado pelos Departamentos de Educação e de Ciências do Comportamento, o qual possibilita ajuda psicoterápica ao corpo docente e discente da FURG.

 

1980
Surgiu a residência médica em Cirurgia Geral.

 

1983
Foi implantado o estágio em Neurologia, o qual possibilita apresentar aos acadêmicos os conhecimentos e técnicas envolvidas pela Neurologia e pela Neurocirurgia. Este estágio prosseguiu até 1999.

 

1985
Foi implementada a primeira Semana Acadêmica da Medicina, promovida pela ComCur da Medicina. Surge o primeiro volume da revista de publicação científica de Ciências Médicas e Biológicas Vittale. É organizado o Projeto Assistência à População do Cassino, um programa de extensão que envolvia ações de Medicina Comunitária, através de atendimento domiciliar nas zonas da Querência e Vila dos Pescadores; este projeto teve seguimento até 1998.

 

1986
A ACSCRG criou o Projeto Internato em UTI, o qual possibilitou a implementação de um Estágio em UTI para acadêmicos da Medicina da FURG. O estágio em UTI é oferecido até hoje.

 

1993
Surgiu o Mestrado em Clínica Médica, para a formação de futuros mestres e, desta forma, aprimorar o corpo docente da própria instituição. Por não conseguir atingir todas as metas determinadas pela CAPES, o Mestrado foi dissolvido em 2003.

 

1994
Surgiu o NUTI (Núcleo Universitário da Terceira Idade). Foi criada a residência médica em Ginecologia e Obstetrícia.

 

1995
O NEAS (Núcleo de Estudo em Administração da Saúde) foi fundado, permitindo estudos sobre logística e organização dos sistemas públicos de saúde. Criou-se o Mestrado em Ciências Fisiológicas, o qual foi direcionado para os profissionais das áreas biológicas e da saúde. Para poder conseguir o credeciamento, mudou-se o escopo para Fisiologia Animal Comparada no mesmo ano, o qual foi aprovado pela CAPES.

 

1996
Inaugurou-se a residência médica em Anatomia Patológica.

 

1999

No contexto local, durante o ano de 1999, foi realizada a primeira fase do Colóquio Transdisciplinar de Reforma Curricular promovido pela Pró-Reitoria de Graduação, sendo balizado que profundas alterações na estrutura e organização dos currículos dos cursos de graduação deveriam ser introduzidas. O documento “Projetos Pedagógicos e Reformas Curriculares – Texto para Reflexão”, elaborado pela PROGRAD destaca como componentes inerentes a uma proposta de reforma a flexibilidade curricular e a transdisciplinaridade. A partir desta necessidade, em 2000, é aprovada a terceira reforma curicular do Curso de Graduação em Medicina.

 

2000
Começou-se a implementar uma reestruturação no currículo disciplinar do Curso de Medicina da FURG, visando uma redistribuição dos conteúdos e possibilitando um aumento no tempo de internato (o qual passou para 1 ano e 6 meses). Com o novo currículo, a ComCur visou iniciar o contato do aluno aos pacientes já no primeiro ano de curso. No ano seguinte, entrou a primeira turma já integrada ao novo currículo.

 

2001

O novo currículo do Curso de Medicina da FURG é composto por módulos, cada um compondo uma unidade integradora e com missão específica. O módulo entendido na sua essência como uma unidade, tem no conteúdo essencial a sua matriz geradora. Mesmo assim, a utilização das disciplinas, como prática de estrutura funcional, é mantida. Na busca da transdisciplinaridade, devido a ênfase nos conteúdos essenciais, é adotada em várias disciplinas a característica “ACI”, isto é, disciplina com “Atividade Curricular Integrada”. O estágio curricular passa a ser desenvolvido em um período de 18 meses. A reforma implementada tem como objetivo atender as Diretrizes Nacionais para os Cursos de Graduação na Área da Saúde. (Resolução CNE/CES Nº 4 de 7 de novembro de 2001).

 

 

2004

O Curso de Graduação em Medicina organiza e é sede do VII Congresso Gaúcho de Educação Médica, tendo como tema central a implementação das Diretrizes Nacionais para os Cursos de Graduação na Área da Saúde. Este evento serviu para a Coordenação do Curso identificar as necessidades de novas mudanças para adaptar o curso a carga horária mínima para os cursos de graduação constantes no Parecer CNE/CES n0 329/2004.

 

 

2007

É aprovada a alteração do currículo em implantação. O estagio curricular passa a ser desenvolvido em 21 meses e são regulamentadas as atividades complementares obrigatórias. (Del18/2007-COEPE).

 

Em 2005 foi desencadeado o processo de reforma da Estatuto da Universidade e da sua estrutura organizacional. Após um amplo período de discussões e debates, realização de plebiscitos,o novo Estatuto foi aprovado em novembro de 2007 (Resolução No031/2007 CONSUN). Em 2008 o Ministério da Educação recomenda as alterações do Estatuto da Fundação Universidade Federal da Rio Grande (Portaria no301/2008 SESu/MEC).

A partir deste momento são extintos os departamentos e a Universidade Federal do Rio Grande estrutura-se em Unidades Acadêmicas, “células organizacionais executivas, de âmbito e alcance acadêmico (ensino, pesquisa e extensão), didático-pedagógico (planejamento e execução curricular) e administrativo ( gestão e organização de materiais e pessoal), identificados com uma área, ou áreas, de conhecimento ou de atividade acadêmica de formação em nível superior” (Capítulo II, Art. 50 Estatuto Geral).

 

2008

Em julho, é encaminhado o documento para a criação da Faculdade de Medicina (FAMED) de acordo com a nova Estrutura Organizacional, são extintos os Departamentos de Medicina Interna, Cirurgia, Materno-Infantil, Patologia e a Comissão de Curso de Graduação em Medicina.

FILOSOFIA: A Faculdade de Medicina, em consonância com a filosofia da Universidade Federal do Rio Grande, visa à construção do conhecimento e práticas de recuperação e promoção da saúde, compromissado com a comunidade, voltado para o ecossistema, exercendo, assim, sua relevante função social desenvolvida nas mais diversas atividades de ensino, pesquisa e extensão, quer seja em seus cursos de graduação ou pós-graduação latu e strictu sensu.

A Faculdade de Medicina, por meio das atividades de ensino de graduação e de pós-graduação stricto e latu sensu, de pesquisa e de extensão, terá como missão a formação do profissional em saúde visando as transformações da prática profissional, considerando a formação “generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitando-o a atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação á saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano.”

Em 21 de agosto é realizada a primeira Assembléia da FAMED, reunindo docentes e técnicos administrativos. Assume como primeiro Diretor o então chefe do Departamento de Medicina Interna, Prof. Dr. Antonio Cardoso Sparvoli.

Em 1º de setembro é realizada a primeira reunião do Conselho da FAMED.

Em 27 de novembro é eleita a primeira Direção da FAMED e da Coordenação do Curso de Graduação em Medicina.